Scorn – Análise

O que é arte pra você? Segundo o The Britannica Dictionary, arte pode ser entendida como “algo que é criado com imaginação e habilidade e que é bonito ou que expressa ideias ou sentimentos importantes”, e é aqui que Scorn se encaixa, então vamos conferir tudo através desta análise do novo título da Ebb Software.

Scorn é um jogo em primeira pessoa lançado em 14 de outubro de 2022 para Xbox Series X/S e PC’s, além de estar disponível do Xbox Game Pass e via nuvem. O game pode ser rotulado como um Survival Horror de puzzles e com alguns elementos de ação.

O encanto pelo desconhecido

Scorn possui uma das ambientações mais misteriosas, grotescas, nojentas, asquerosas e ao mesmo tempo consegue ser bela e fascinante, gerando curiosidade e encanto pelas estruturas e a arquitetura misteriosa que o game apresenta em seus cenários. Toda a direção de arte é claramente inspirada pelo artista plástico Hans Rudolf Giger (H.R. Giger) e pelo artista polonês Zdzisław Beksiński, além de inspirações nas obras de H.P. Lovecraft contando com cenários alienígenas, que se parecem com fábricas futuristas e ao mesmo tempo orgânicas.

O cenário de Scorn parece estar vivo, muitas vezes passando a impressão de estarmos jogando dentro de um organismo vivo. A trilha sonora reforça mais essa ideia já que opta pela falta de músicas e foca no som ambiente, nos questionando se realmente estamos sozinhos ou sendo de alguma forma, vigiados ou perseguidos.

O game é um espetáculo visual, e traz uma sensação única ao ser jogado, cada corredor, casa sala, cada estrutura te traz um sentimento que mistura fascínio e estranheza. A melhor definição que eu poderia dar ao jogo é de se apreciar um quadro de Beksińsk, tudo ali é muito estranho e nos deixa incomodados, mas ao mesmo tempo nos gera curiosidade e interesse em saber o porquê das coisas estarem sendo representadas daquela forma, e qual seria a razão por trás de tudo aquilo.

O passado de uma civilização esquecida

A história de Scorn é contada através dos cenários, sem nenhuma explicação lógica, textos ou diálogos entre personagens, sendo apenas o protagonista e os sons ambientes do local em que o jogo se passa, que pode ser uma nave alienígena, uma civilização avançada que se perdeu em sua tecnologia ou até mesmo um planeta distante, nada disso é explorado de maneira concreta, porém, está presente de alguma forma. O fato é que jogo não esclarece nada, e é isso que o deixa mais misterioso e artístico, a história de Scorn é interpretativa, podendo significar uma coisa diferente para cada jogador, dependendo da sua perspectiva e de qual sentimento o jogo passou, assim como um quadro em um museu, assim como a arte como entendemos hoje.

Principais problemas

Porém, nem tudo são flores já que Scorn é um jogo e não apenas um quadro para ser apreciado e observado, e como um produto audiovisual para videogames, o jogo peca bastante. Os maiores problemas de Scorn são seu combate, e também seu ritmo. Nas primeiras cenas o jogo é vendido como um jogo de puzzles com elementos de terror, porém mais para frente no game ele tenta virar um survival horror e acaba se perdendo em sua identidade, querendo ser muito e acabando sendo pouco, ou quase nada.

Seu combate é exageradamente lento e falho, podendo ser proposital para gerar mais tensão ao jogador e até faz sentido, mas sua hitbox e cenários extremamente apertados fazem com que a experiência do jogador seja bastante frustrante e traz o sentimento de que a culpa por diversas mortes seja do próprio jogo, e não da falta de habilidade do jogador, já que tiros não são registrados corretamente nos inimigos, seu personagem fica preso diversas vezes mesmo o cenário tendo claramente um espaço vago para se passar e contornar o perigo e etc.

Além do combate, o jogo possui um problema de ritmo que o torna maçante em muitos momentos. É comum ficar empacado em alguns locais do jogo sem saber o que fazer e ter que ficar dando voltas e voltas para se descobrir algo, já que o jogo não indica absolutamente nada, o que é uma decisão sábia que faz com que o jogador não tenha tudo mastigado. Porém, muitas vezes a experiência acaba sendo um pouco frustrante e quebra o ritmo do mistério.

Conclusão

Scorn é um jogo com uma proposta diferente e não vai agradar à maioria dos jogadores. O game foi feito para servir como algo abstrato e passar sentimentos e sensações, assim como as pinturas presentes nos museus, que até hoje causam polêmica sobre suas reais funções. Terminei o jogo confuso, um pouco frustrado, mas com uma vontade imensa de saber mais sobre aquele universo e de conversar com mais pessoas para saber quais foram suas interpretações sobre a história, ou a falta dela, e quais sentimentos foram despertados ao longo da jornada, que é relativamente curta.

Para aqueles que resolverem se aventurar no misterioso mundo de Scorn, não esperem muitas respostas, mas sim muitas perguntas, cenários absolutamente lindos e grotescos e um combate bastante falho e frustrante, além de um ritmo confuso e sem muita sensação de recompensa.

No fim, Scorn vale a experiência mesmo contando com os problemas, ainda mais por estar disponível no serviço de assinatura do Xbox sem nenhum custo adicional.


Bruno “DarkHunter Rebello
Computador (PC)

Esta review representa a nossa opinião diante de tudo o que vimos e experimentamos, sabemos que cada pessoa possui opiniões diferentes em alguns aspectos, por isso sempre encorajamos que todos experimentem e tirem as suas próprias conclusões.

PONTOS POSITIVOS:

◆ Direção de arte;
◆ Mistério e imersão;

PONTOS NEGATIVOS:

◆ Combate falho;
◆ Péssimo ritmo de gameplay;
◆ Momentos que podem ser frustrantes;
Jogabilidade
5.0
Aspecto Visual
9.5
Aspecto Sonoro
9.0
Dificuldade
6.2
História
5.0
Diversão
4.5

Sobre o autor

Bruno Rebello
Bruno Rebello
Amante dos games, cultura Geek e tecnologia. Também sou jornalista, skatista, rockeiro, caçador de troféus e conquistas e nas horas vagas, eu participo do Conselho da Ordem Jedi.

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<b>PONTOS POSITIVOS: </b><BR> <BR>◆ Direção de arte; <BR>◆ Mistério e imersão; <br><br> <b>PONTOS NEGATIVOS: </b><BR> <BR>◆ Combate falho; <BR>◆ Péssimo ritmo de gameplay; <BR>◆ Momentos que podem ser frustrantes;Scorn - Análise